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O seu rosto era pintado, E seu jeito, retraído, Seus cabelos enrolados, E de muito, distraído.
Inteligente e saudável, Tirava nota dez até, Mas seu único defeito, Era um tremendo chulé.
Tudo havia feito e passado, Receitas mil haviam lhe dado, Mas o cheiro do seu pé, Nem de longe, tinha acabado.
Em encrencas nunca estava, O seu nome era Mané, Mas o que incomodava, Era o seu querido chulé.
Tinha uma turma bacana, Que às vezes festa fazia, Mas seu jeito muito tímido, De garotas, ele fugia.
Marcaram para o fim de semana, Uma viagem legal, Era num acampamento, Para alegria geral.
Foram de ônibus ao campo, E era um lugar genial, Muitos chalés e um lago, Com segurança total.
Quando foram distribuir, Cada dois em um chalé, Preocupado o menino ficou, Onde colocar seu chulé.
Chiquinho seu companheiro, Naquele quarto apertado, Não sabia do problema, Quando o tênis fosse tirado . . .
Depois das brincadeiras do dia, Cansados, foram prá cama, E Mané dormiu calçado, Com o tênis e de pijama.
No dia seguinte correu notícia, Bem na hora do café, Que alguém naquele campo, Tinha um terrível chulé.
O Mané muito sem jeito, Para casa até quis voltar, Mas Maria - a cozinheira, Resolveu lhe ajudar.
"- Querido, não fique triste, Uma poção vou lhe dar, Faça tudo direitinho, Que o chulé vai acabar".
Com alívio, em um dia, Seu problema terminou, E do chulé deste menino, Ninguém pelo menos lembrou.
Mané feliz e contente, Com novo cheiro no pé, Voltou para casa saudoso, Da viagem, e do chulé . . . Enise |