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Lúcia adorava livros, mas em sua casa quase não conseguia ler. Sua mãe, Florinda, elegante e jovem achava que livros juntavam muita poeira, não combinavam com a decoração da sala.
Só permitia que a filha guardasse os livros escolares numa pequena prateleira em cima de uma escrivaninha no próprio quarto. Além do mais, ela dizia que mulheres ficam feias de óculos e muita leitura "faz mal para a vista".
E também lhe restavam as noites de sábado na casa dos avós. Quando seus pais saíam com os amigos nos finais de semana, era lá que ela ficava.
Lúcia nunca ia ao campo. Seus pais detestavam montanhas porque "nesses lugares muito calmos não há o que fazer".
Às vezes, pensando que jamais seria
capaz de penetrar na dimensão mágica dos sonhos, das
Até que aconteceu, inesperadamente.
Numa tarde de chuva, Lúcia estava em casa sozinha e um pouco
cansada. Resolveu experimentar seu novo jogo de vídeo game:
"Secret worlds".
A primeira fase foi fácil ultrapassar:
as comportas de um labirinto se abriram e uma profusão de
criaturas estranhas vindas dos mundos secretos
Lúcia não conseguia
fazê-las parar.
Engraçado era um menino com uma roupa esquisita. Sorria.
Mais do que os outros. Parecia até que estava vivo. Parecia
que ele via. Lúcia nunca foi capaz de se lembrar direito como foi que o elemental saltou da tela. Só lhe restou na memória a imagem de um jovem sorridente, de pele translúcida e esverdeada, sentado com as pernas cruzadas bem ao lado de seus pés. "Estou alucinando!", foi o que ela pensou quando ele tirou o chapéu colorido e fez uma reverência. "Muito prazer menina Lúcia. Sou Follet, o folião, o companheiro preferido de todas as cortes do mundo." "Gosto de você. É minha escolhida. Você terá tudo o que deseja!", afirmou categórico.
"Por que usa estas roupas tão estranhas? Parece até uma
espécie de Peter Pan." A pergunta
"Querida! Se sua mãe a deixasse ler .
. . Este é um traje medieval. Adorei a Idade Média . .
que alguns chamam de Idade das Trevas . . . Que piada!
Aquilo, sim, foi a Idade da Luz, da Luz e da Magia.
Não leu "Sonho de uma noite de verão"?"
O elemental não parava de falar. "Até que agora estou começando a me divertir outra vez! Adoro esta folia dos concertos de rock. Todo mundo pulando e cantando!
Cabelos longos . . .Ar livre . . . É igualzinho a antigamente! Faixas! Bandeiras! Só faltam os cavalos. Vamos! Coloque música para mim! Apague as luzes. Você vai conhecer o meu talento." "Espere!", pensou Lúcia. "De onde você veio?"
Lúcia que nem conseguia mais pensar, obedeceu às ordens. Ao primeiro acorde do disco o quarto foi invadido por vaga-lumes dançantes que riscavam o escuro da cores fulgurantes enquanto a cama parecia flutuar.
Mas de manhã, quando abriu os olhos,
viu que o quarto era exatamente o mesmo de antes. Foi à escola e voltou correndo. Trancou a porta à chave. Colocou o cartucho "Secret worlds". Será que não é o mesmo jogo?", pensou.
O que ela viu na tela era absolutamente normal. Um jogo simples e até meio sem graça.
Parecia que na Irlanda um homem havia conseguido penetrar no reino das fadas. Apaixonou-se por uma delas. Quando voltou à vida cotidiana, o mundo perdera a graça. O jovem envelheceu tentando reencontrar a entrada para aquele mundo secreto onde penetrara por acaso. Será que ela ficaria igual a ele?
Seu quarto agora lhe parecia ainda mais vazio. se ela
pudesse contar a alguém . . .Mas
Anoitecia, o carro estava abafado.
Seus pais não paravam de discutir. Lúcia sentia muita
Alguém que a cumprimentava sem que ela ouvisse palavras ou vozes. Abriu os olhos e viu formas brilhantes e musicais dançando no meio dos luminosos. As bolas de luz se transformaram em minúsculos seres que rodavam sem parar em volta do carro. Imediatamente, todos começaram a se afastar e surgiu uma passagem no meio da avenida. Seu pai custou a perceber a brecha. Depois, afundou o pé no acelerador. E . . . o carro decolou.
Subiram até a altura das nuvens. Chegou até os planetas e viu seres passeando pelas estrelas.
Mas quando abriu os olhos novamente,
estava na porta de seu prédio. Os pais não paravam de falar.
Diziam que tinham recebido um golpe inesperado de sorte. De
repente era como se todos
Na verdade, a sorte de Lúcia também foi grande, porque, depois que os follets circundaram o carro da família, seu quarto ganhou muitas prateleiras que logo se encheram de livros, e ninguém se aborreceu no dia em que ela afirmou:
- Quando crescer, vou ser escritora. Lúcia tinha alcançado a dimensão mágica dos duendes, das imagens e aventuras secretas.
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