Jacintinho não sabia,
Tudo que estava por vir,
Mas era uma coisa séria,
Tinha medo até de sorrir.

Para começar a estória,
numa tarde bem tranquila ,
quando ia para a escola,
correu de um feroz cão Fila.

Ao fugir, pulando a cerca,
não notou um arame pendurado,
que rasgou-lhe o tênis - tão novo!
e deixou seu pé meio furado.

Olhando para aquilo assustado,
só um corte  ele notou,
mas foi com o tênis rasgado,
que ele mais se preocupou.

Aquele cutucão lhe doía,
e o tênis  foi  para  o lixo,
pois o arame malvado,
lhe espetara, com capricho.

Na escola, ao perguntarem,
Uma  só coisa falou :
" - Foi uma faca pontuda,
que no meu pé despencou ".

Tal mentira deslavada,
até para sua mãe contou,
mas do tênis não esquecia,
pois só um pé lhe restou.

Aquela mancha vermelha,
mais tarde marrom ficou,
E o peito do pé que doía,
como quando machucou.

Preocupou-se com a gincana,
que ia ser no outro dia.
Como explicar tanta dor,
e aquela pinta que ardia !

"- Oh ! Meu Deus , disse Jacinto,
Como hei de me virar,
com esta pinta no pé,
isto vai  me atrapalhar ".

De repente, abriu os olhos,
e  quis logo ver a pinta,
mas era uma pulga gorducha,
como uma gota de tinta.

 
Jacintinho cochilara,
e rapidinho sacou,
que era só uma pulga danada,
e que tudo foi um sonho e acabou...

                                                 Enise